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    Jatir Delazeri

Caminho percorrido por um Gaudério
Por: JATIR DELAZERI.

publicado no ano de 2000!

Parte 1 - Nasce um gaudério.(01-Jul-2000) Parte 7 - Coração do gaudério é flechado por uma chinoca.(01-Out-2000)
Parte 2 - O piá é desmamado.(15-Jul-2000) Parte 8 - Frustração e desespero do gaudério.(15-Out-2000)
Parte 3 - Em Relvado é civilizado.(01-Ago-2000) Parte 9 - Frustrado, deixa o pampa gaúcho.(01-Nov-2000)
Parte 4 - Desperta o amor por uma chinoca.(15-Ago-2000) Parte 10 - Frustração do gaudério na terra do tio Sam.(15-Nov-2000)
Parte 5 - O gaudério é enviado a uma cavalaria em Bagé.(01-Set-2000) Parte 11 - Flecha do gaudério atinge coração desocupado em Porto Alegre.(01-Dez-2000)
Parte 6 - Vai tentar a vida na capital.(15-Set-2000) Parte 12 - (final) - Com saudades, o gaudério funda o primeiro CTG fora do Brasil.(15-Dez-2000)

 
Frustração do gaudério na terra do tio Sam.

- Parte 10.

 

            Era início de junho de 1986, a diretora de uma escola pública da cidade de Corona, a qual pertence a grande Los Angeles, procurou o gaudério, convidando-o a representar o Brasil no Dia Internacional da Cultura, no qual participariam mais de 22 países das Américas,  Europa, Ásia e África. Cada país mostraria um pouco de sua história e cultura. Neste dia iriam reunir-se mais de 1200 alunos, entre 6 a 8 anos de idade, de várias escolas da cidade de Corona. Todos eles teriam seu passaporte e em cada país que visitassem, receberiam um carimbo, como visitante, no passaporte. O evento seria  em uma quinta-feira das 8 da manhã ate às 4 da tarde.

        O gaudério pensou um pouco e logo aceitou o convite. Representaria o Brasil na figura de um gaúcho, usando as vestes tradicionais, mostrando assim um pouco da cultura, dos costumes e das tradições do povo do sul do Brasil.

        Finalmente chegou o dia marcado. O gaudério se preparou colocando a roupa típica do tradicionalismo gaúcho, pegou a cuia, a bomba, a erva mate e uma chaleira preta com a intenção de preparar um chimarrão no evento. Aproximadamente 7 horas da manhã, ele saiu do rancho, seguindo para a cidade de Corona. Ele mostrava-se um pouco tenso, pois seria a primeira vez que teria a responsabilidade de representar a cultura gaúcha e brasileira, e sabendo que seu inglês não era lá dos melhores.

            Depois de mais de uma hora de viagem, ele chegou ao lugar do evento, e logo começou a despertar muita curiosidade dos pequenos alunos, principalmente pela roupa que o gaudério estava usando: bombacha preta, camisa branca, botas, guaiaca, lenço vermelho, chapéu e esporas com roseta pontiaguda. Os alunos, em grupos de 30, visitavam os mais de 22 países que estavam lá representados. Ao chegar o fim do dia, o gaudério foi considerado o destaque do evento, pois a cultura  brasileira representada pela cultura  do Rio Grande do Sul  foi a que mais despertou atenção entre os alunos. No dia seguinte, como destaque do evento, saiu  em um jornal local, a foto do gaudério junto com 3 alunos mostrando seus  passaportes. Ao retornar ao rancho ele começou a pensar que Los Angeles seria uma terra fértil para fundar um CTG, pois sentia que a cultura gaúcha seria bem vinda a essa terra.  As noites do gaudério começavam a ficar compridas pois terminaram os trabalhos no petiço e terminou, também, seu curso de inglês, de tal forma que ele ia descansar mais cedo. Mas o sono não vinha, por estar sozinho e pela saudade que sentia da velha querência.  Para matar um pouco da saudade que sentia e aproveitar as noites mal dormidas, o gaudério decidiu escrever um livro cujos assuntos eram: a imigração de seus tataravôs da Itália para o Brasil, um pouco sobre sua infância e juventude e também sobre a cultura  gaúcha. O livro levou o título de:  UM ÍTALO-GAÚCHO EM LOS ANGELES, que foi publicado no ano de 1987 em Porto Alegre.

            Com mais de 40 anos de idade, o gaudério já estava desistindo de procurar uma chinoca  para ter como companheira. Sentia que os únicos companheiros que iria ter para o resto da vida seriam os romantismos e a solidão. Mas seu coração não se dava por vencido e volta e meia ele sacudia o gaudério, e dizia: tem tantas chinocas sobrando por aí, será que não vai conquistar uma? Lembrando ao gaudério que sempre tem um "chinelo velho para um pé torto". Lembrou a ele certa vez que se não consegue aqui na nova querência porque não volta a procurar na velha querência, talvez encontrasse uma chinoca que gostaria de mudar de vida.  O gaudério  pensava que se quando estava lá não conseguiu nada, de Los Angeles seria  muito mais difícil! Para contentar seu coração, o gaudério começou a estudar uma maneira de como poderia convencer  uma chinoca a deixar o pampa gaúcho e passar a viver nas terras da Califórnia. Ele preparou várias cartas com flechas de amor e começou a envia-las para várias cidades da serra gaúcha, pois gostava de chinocas italianas, bem como para  Porto Alegre, para ver se encontrava alguma chinoca disposta a deixar a capital gaúcha. Após isso, ficou à espera de alguma novidade mesmo sabendo que uma carta demorava no mínimo 15 dias para ir e outros 15 dias para retornar. Todos os dias quando retornava ao rancho, vindo do trabalho, a primeira coisa que ele fazia era ir até a caixa do correio para ver se havia chegado alguma novidade. Depois de alguns meses, recebeu um aviso: uma das flechas de amor havia atingido o coração desocupado de uma chinoca  em Porto Alegre...