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Frustração do gaudério na terra do tio Sam.
- Parte
10.
Era início de junho de 1986, a diretora de uma escola pública da
cidade de Corona, a qual pertence a grande Los Angeles, procurou
o gaudério, convidando-o a representar o Brasil no Dia Internacional
da Cultura, no qual participariam mais de 22 países das Américas, Europa, Ásia e África. Cada país mostraria um pouco de sua
história e cultura. Neste dia iriam reunir-se mais de 1200 alunos,
entre 6 a 8 anos de idade, de várias escolas da cidade de Corona.
Todos eles teriam seu passaporte e em cada país que visitassem,
receberiam um carimbo, como visitante, no passaporte. O evento seria
em uma quinta-feira das 8 da manhã ate às 4 da tarde.
O
gaudério pensou um pouco e logo aceitou o convite. Representaria
o Brasil na figura de um gaúcho, usando as vestes tradicionais,
mostrando assim um pouco da cultura, dos costumes e das tradições
do povo do sul do Brasil.
Finalmente chegou o dia marcado. O gaudério se preparou colocando
a roupa típica do tradicionalismo gaúcho, pegou a cuia, a bomba,
a erva mate e uma chaleira preta com a intenção de preparar um chimarrão
no evento. Aproximadamente 7 horas da manhã, ele saiu do rancho,
seguindo para a cidade de Corona. Ele mostrava-se um pouco tenso,
pois seria a primeira vez que teria a responsabilidade de representar
a cultura gaúcha e brasileira, e sabendo que seu inglês não era
lá dos melhores.
Depois de mais de uma hora de viagem, ele chegou ao lugar do evento,
e logo começou a despertar muita curiosidade dos pequenos alunos,
principalmente pela roupa que o gaudério estava usando: bombacha
preta, camisa branca, botas, guaiaca, lenço vermelho, chapéu e esporas
com roseta pontiaguda. Os alunos, em grupos de 30, visitavam os
mais de 22 países que estavam lá representados. Ao chegar o fim
do dia, o gaudério foi considerado o destaque do evento, pois a
cultura brasileira
representada pela cultura
do Rio Grande do Sul
foi a que mais despertou atenção entre os alunos. No dia
seguinte, como destaque do evento, saiu
em um jornal local, a foto do gaudério junto com 3 alunos
mostrando seus passaportes.
Ao retornar ao rancho ele começou a pensar que Los Angeles seria
uma terra fértil para fundar um CTG, pois sentia que a cultura gaúcha
seria bem vinda a essa terra.
As noites do gaudério começavam a ficar compridas pois terminaram
os trabalhos no petiço e terminou, também, seu curso de inglês,
de tal forma que ele ia descansar mais cedo. Mas o sono não vinha,
por estar sozinho e pela saudade que sentia da velha querência.
Para matar um pouco da saudade que sentia e aproveitar as
noites mal dormidas, o gaudério decidiu escrever um livro cujos
assuntos eram: a imigração de seus tataravôs da Itália para o Brasil,
um pouco sobre sua infância e juventude e também sobre a cultura
gaúcha. O livro levou o título de:
UM ÍTALO-GAÚCHO EM LOS ANGELES, que foi publicado no ano
de 1987 em Porto Alegre.
Com mais de 40 anos de idade, o gaudério já estava desistindo de
procurar uma chinoca para
ter como companheira. Sentia que os únicos companheiros que iria
ter para o resto da vida seriam os romantismos e a solidão. Mas
seu coração não se dava por vencido e volta e meia ele sacudia o
gaudério, e dizia: tem tantas chinocas sobrando por aí, será que
não vai conquistar uma? Lembrando ao gaudério que sempre tem um
"chinelo velho para um pé torto". Lembrou a ele certa vez que se
não consegue aqui na nova querência porque não volta a procurar
na velha querência, talvez encontrasse uma chinoca que gostaria
de mudar de vida. O
gaudério pensava que
se quando estava lá não conseguiu nada, de Los Angeles seria
muito mais difícil! Para contentar seu coração, o gaudério
começou a estudar uma maneira de como poderia convencer
uma chinoca a deixar o pampa gaúcho e passar a viver nas
terras da Califórnia. Ele preparou várias cartas com flechas de
amor e começou a envia-las para várias cidades da serra gaúcha,
pois gostava de chinocas italianas, bem como para
Porto Alegre, para ver se encontrava alguma chinoca disposta
a deixar a capital gaúcha. Após isso, ficou à espera de alguma novidade
mesmo sabendo que uma carta demorava no mínimo 15 dias para ir e
outros 15 dias para retornar. Todos os dias quando retornava ao
rancho, vindo do trabalho, a primeira coisa que ele fazia era ir
até a caixa do correio para ver se havia chegado alguma novidade.
Depois de alguns meses, recebeu um aviso: uma das flechas de amor
havia atingido o coração desocupado de uma chinoca em Porto Alegre...
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