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Flecha do gaudério atinge coração desocupado em Porto
Alegre.
- Parte
11.
O gaudério continuava
sentindo o peso da idade até que recebeu um manuscrito de uma pessoa
amiga de Porto Alegre. Imediatamente começou a lê-lo, pois estava
muito ansioso para saber as novidades que o manuscrito estava trazendo.
Depois de o ler três vezes, entendeu o que estava escrito e dizia
mais ou menos isto: aqui
na capital gaúcha
uma chinoca desocupou seu coração por vários motivos, ela
disse que agora irá dar seu coração a um gaudério que não a incomodará,
pois ela está trabalhando e estudando e talvez quando completar
os estudos ela sairá da capital à procura de uma vida melhor.
Este amigo também
disse ao gaudério: vai firme! Ela não é uma "miss",
mas também não é algo de se jogar fora, e disse mais:
estou lhe enviando o endereço dela para você começar a se corresponder
com ela, e espero que tudo dê certo com vocês.
Sabendo que talvez fosse sua última chance para resolver
seu problema sentimental, ele preparou um manuscrito com mais de
cinco páginas contando sobre as coisas boas na terra do Tio Sam,
e junto, colocou uma foto sua tirada em uma das montanhas cobertas
de neve da Califórnia. Ele estava usando equipamento de esquiar,
o qual havia arrumado emprestado apenas para a fotografia. Isto
foi feito para impressionar a chinoca. Colocou em um envelope, selou
e enviou a capital gaúcha. Após isto ficou a espera de uma resposta
positiva, mas já sabendo que uma carta para ir e voltar levava em
torno de 30 dias.
Enquanto o tempo ia
passando, durante muitas noites o gaudério sonhava estar em Porto
Alegre,
aproveitando as coisas boas e belas desta cidade, onde ainda
existia o calor humano, a
hospitalidade, os princípios de que para se viver
tem que se trabalhar. O gaudério sonhava estar na Rua da
Praia, ponto de encontro dos porto-alegrenses e passarela da beleza
da mulher gaúcha. No final do dia a rua está repleta de pessoas
caminhando para todos os lados, e aos poucos, com o cair da noite,
vai se esvaziando até restarem alguns grupinhos de pessoas batendo
papo. Ao despertar, o gaudério se sentia frustrado, pois o que havia
passado era só um sonho.
Depois de
ter passado
uns quarenta dias, finalmente chegou o fim da espera, havia chegado
uma resposta da carta que enviara. Ao terminar de lê-la, sentiu
que a resposta foi positiva. A partir desta carta foi uma intensa
correspondência, com algo em torno de oito a dez folhas manuscritas
por carta, e uma carta por mês. Passou-se um ano e meio de correspondências,
já era hora de ir conhecer a chinoca, pois ela já havia então terminado
os estudos.
Início de abril de
1988, o gaudério viajou para Porto Alegre, sabendo que teria apenas
quarenta e cinco dias para conhecê-la, noivar, casar e retornar
à Califórnia com ela. No prazo marcado o gaudério conseguiu
conhecê-la, noivar e casar, mas, por força do destino, ele
não conseguiu retornar para a Califórnia com a chinoca. Passaram-se
mais seis meses, muita reza, muito esforço, algumas novenas, e finalmente
a chinoca conseguiu cruzar a fronteira para
poder se encontrar com o gaudério. Tendo a chinoca ao seu
lado, o sonho de fundar um CTG começou a ganhar muita força. Como
ele não tinha experiência de como fundar um CTG, pediu ajuda para
alguns amigos que tinha na velha querência, e ao mesmo tempo em
que esperava o auxílio que havia pedido, ele marcou a data de fundação
do tão esperado CTG: 20 de
setembro de 1992...
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