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Com
saudades, o gaudério funda o primeiro CTG fora do Brasil.
- Parte 12.
Era início de Julho de 1992, o gaudério começou a consultar algumas famílias conhecidas, comunicando que estava planejando um encontro em uma churrascaria local com a intenção de fundar um CTG. Ele recebeu apoio da maioria das famílias consultadas. Ficou combinado um almoço no dia vinte de setembro, um domingo, durante a Semana Farroupilha. 
Duas semanas antes da data marcada para o encontro, o dono da churrascaria comunicou ao gaudério que o salão que os gaúchos iriam utilizar para no encontro do dia vinte de setembro havia sido reservado para outro grupo de pessoas e não poderia ser mais para os gaúchos. Então o gaudério, ligeirinho, saiu em busca de uma alternativa para resolver o problema, e decidiu que o encontro iria ser realizado em um parque público. Rapidamente comunicou a todas as famílias interessadas, da mudança do local do encontro, o qual iria ser realizado no Verdugo Park, na cidade de Glendale.
Finalmente chegou o dia esperado. O gaudério que tinha a mania de perfeccionismo, preocupou-se muito com os detalhes e a programação do dia. Levantou cedo, colocou a pilcha, arrumou a cuia, a bomba, um pouco de erva mate, uma churrasqueira portátil, espeto, carvão, alguns quilos de carne para fazer o assado e as bandeiras. Colocou tudo isso em uma pick-up que ele possuía e foi para o Verdugo Park, que ficava uns 10 quilômetros do rancho de onde morava. Ao chegar, o primeiro trabalho foi fazer fogo, na própria churrasqueira, para esquentar uma chaleira de água e fazer o chimarrão enquanto escutava músicas gaúchescas. Às 8 horas da manhã, ele pendurou em alguns galhos de árvores as bandeiras dos Estados Unidos, do Brasil e do Rio Grande do Sul, tudo isso como prova da grandeza do acontecimento.
Aos poucos iam chegando as famílias convidadas, algumas usando roupas típicas do tradicionalismo gaúcho, porém a maioria usava a roupa do dia-a-dia. Algumas dessas famílias nunca ouviram falar sobre o tradicionalismo gaúcho, pois não eram brasileiras.
As horas iam passando e para facilitar o trabalho, o gaudério pediu ajuda a uma pessoa para assar a carne. Ao meio dia a carne ficou pronta. As pessoas se acomodaram nas mesas e foi servido o churrasco. Chegadas as duas horas da tarde, era o momento mais importante do dia. O gaudério reuniu as famílias presentes junto as bandeiras para dar início a ata de fundação do primeiro CTG (Centro de Tradições Gaúchas) nos Estados Unidos. Com o nome de Centro Cultural Gaúcho General Bento Gonçalves, em homenagem a um dos líderes da Revolução Farroupilha, foi nomeado uma patronagem provisória, sendo o gaudério o patrão, e em seguida, as famílias presentes assinaram o livro de ata de fundação do CTG. Pelas cinco horas da tarde foi dado por encerrado o encontro.
O gaudério estava muito feliz, pois havia realizado mais um sonho em sua vida, embora ele soubesse que o mais difícil estava por vir. Acender a chama do tradicionalismo gaúcho é bastante fácil, o difícil é mantê-la acesa. De início, para organizar e dirigir o novo CTG para um bom caminho, o gaudério assumiu todos os trabalhos, e depois, aos poucos ele foi delegando tarefas aos demais membros da patronagem. Pelos mais variados motivos muitas famílias saíam do quadro social e por tantos outros, outras entraram. O grupo se mantinha numa média de vinte e três famílias, mas o gaudério estava sempre firme no timão. Com o passar do tempo, passou a ter descendente e ela herdou de seu pai, os costumes, a cultura e as tradições do povo do Rio Grande do Sul. O gaudério ensinou para sua filha que para ser gaúcho não é necessário nascer no Rio Grande do Sul, e só conhecer sua história, cultura e cultivar suas tradições. Muitas vezes é mais gaúcho a pessoa que nasce fora do Rio Grande do Sul e conhece sua história e cultiva suas tradições do que aquela que nasce na terra dos pampas e não conhece sua história, cultura e tradições.
Esse foi o Caminho percorrido por um gaudério.
Fim.
Aguarde! Em breve, aqui: "A história de um povo e uma terra"! |