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Frustração e desespero do gaudério.
- Parte
8.
Passaram-se os bons tempos onde o gaudério e a chinoca se identificavam,
ambos gostavam de dançar nas discotecas, acampar na praia ou na
serra, e os dois estudavam na mesma universidade. Aos poucos começaram
a surgir pequenos problemas. O tempo ia passando e os problemas
iam aumentando. A chinoca começou a atrasar-se ou a faltar nos encontros
marcados, dizendo que estava sem tempo durante o dia. O jovem gaudério
começou a preocupar-se, o que estaria passando com ela para mudar
tanto assim. O gaudério começou a passar por um período difícil,
pois estava terminando o rancho, os pagamentos na universidade estavam
cada vez mais altos, e não conseguia entender o que estava passando
com a chinoca. Passaram-se mais alguns meses e um certo dia a chinoca
falou para o gaudério e disse: "Bem sabes, meu coração esta
sendo ocupado por um outro, já não tem mais lugar para ti".
Tremeram as pernas do gaudério, parecia que haviam aberto um buraco
embaixo dele, ele mergulhou em um abismo profundo. Pediu explicações
e ela simplesmente disse que não havia nada para explicar, acontecera
simplesmente. O gaudério e a chinoca retornaram até o centro da
cidade, ele acompanhou-a até seu (dela) apartamento na rua Riachuelo.
Esperou ele que na hora da despedida ela volta-se atrás no que havia
dito, mas a despedida foi definitiva.

O gaudério retornou para casa muito desconsolado, não acreditava
no que havia acontecido, começou a pensar nos planos que já havia
feito, na conclusão do rancho, no casamento, nos estudos da universidade.
Por várias vezes o gaudério tentou falar com ela e ver se voltava,
mas a chinoca sempre esteve firme na decisão de não voltar. Muitas
vezes foi até o centro da cidade na esperança de encontra-la, pois
que ela trabalhava e morava no centro de Porto Alegre. Era uma tarefa
muito difícil, encontra-la, porque já não sabia em que horário trabalhava
e nem quando ia para a universidade. A frustração do gaudério era
cada vez maior, começou a prejudicar seu trabalho e os estudos.
Alguns meses depois teve que sair do antigo trabalho, e sem trabalho
teve que cancelar a universidade. O rancho ele conseguiu concluir
mas ficou com muitas dívidas no banco. Ele começou a procurar trabalho,mas
era muito difícil, pois tinha trabalhado por mais de dez anos no
Estaleiro Só, tinha a carteira de trabalho assinada com um salário
muito alto, e pela depressão psicológica que ele estava passando.
Com a dificuldade de arranjar trabalho, aumentava a frustração do
gaudério, que já não conseguia mais pagar as prestações no banco
e desta feita resolveu alugar o rancho e passou a morar em um apartamento
no bairro Menino Deus, dividindo as despesas de aluguel com outras
pessoas.
Era Semana Santa de 1983 e o gaudério não tinha dinheiro para viajar
para o interior de onde era de origem, então ficou em Porto Alegre.
Na parte da tarde de Sexta-feira Santa ele decidiu ir até a igreja
Menino Deus para fazer uma prece e ver se conseguia sair dos problemas
que o estavam acompanhando. Vestiu uma boa roupa, saiu pela José
de Alencar e foi em direção à igreja Menino Deus. Aproximadamente
duas quadras antes de chegar à igreja, ele viu que dois rapazes
cruzaram a rua atrás dele, de tal forma muito rapidamente, pegaram
o gaudério por traz, tiraram-lhe o relógio, o pouco dinheiro que
tinha, rasgaram sua a roupa e deram alguns socos e pontapés deixando
o jovem rapaz no chão e desapareceram. Como era feriado, não havia
ninguém andando na rua. O gaudério aos poucos foi se recuperando,
retornou ao apartamento, trocou de roupa e retornou à igreja.

Já haviam passados mais de dois anos que saíra do Estaleiro Só e
ele só tinha encontrado trabalhos temporários. Começou a perder
a esperança, sentia que dificilmente iria retornar a uma vida normal
com um bom emprego porque o país estava entrando em uma grande recessão,
com inflação alta e estava aumentando o desemprego. Começou a pensar
em deixar o Brasil e no fim deste mesmo ano decidiu que iria viajar
para a terra do "Tio Sam". Pensava ele que mudando de
ambiente ajudaria a esquecer os maus momentos vividos nos últimos
tempos...
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