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    Jatir Delazeri

Caminho percorrido por um Gaudério
Por: JATIR DELAZERI.

publicado no ano de 2000!

Parte 1 - Nasce um gaudério.(01-Jul-2000) Parte 7 - Coração do gaudério é flechado por uma chinoca.(01-Out-2000)
Parte 2 - O piá é desmamado.(15-Jul-2000) Parte 8 - Frustração e desespero do gaudério.(15-Out-2000)
Parte 3 - Em Relvado é civilizado.(01-Ago-2000) Parte 9 - Frustrado, deixa o pampa gaúcho.(01-Nov-2000)
Parte 4 - Desperta o amor por uma chinoca.(15-Ago-2000) Parte 10 - Frustração do gaudério na terra do tio Sam.(15-Nov-2000)
Parte 5 - O gaudério é enviado a uma cavalaria em Bagé.(01-Set-2000) Parte 11 - Flecha do gaudério atinge coração desocupado em Porto Alegre.(01-Dez-2000)
Parte 6 - Vai tentar a vida na capital.(15-Set-2000) Parte 12 - (final) - Com saudades, o gaudério funda o primeiro CTG fora do Brasil.(15-Dez-2000)

 
Frustrado, deixa o pampa gaúcho.

- Parte 9.

 

            Frustrado, no amor e no trabalho, o gaudério coloca  seus pertences na mala, e junto coloca uma bombacha, as botas, a  guaiaca, o lenço vermelho, um chapéu velho, a cuia, a bomba, e um pouco de erva mate, tudo isso para matar um pouco da saudade da velha querência quando estiver na nova querência. 

            Com a mala pronta ele ficou a espera de um avião que passasse  por Porto Alegre com rumo a terra do Tio Sam.     

            Inicio de janeiro de 1984. Colocou a mala na garupa  deixando a terra dos Pampas, não por não gostar mais dela mas sim por falta de oportunidade para progredir na vida. Ao chegar em terras do norte, mais precisamente na Califórnia, o gaudério fez um  breve reconhecimento do lugar. Logo de inicio surgiram alguns problemas como: a comunicação, os costumes, a falta da vida do campo. O jovem gaudério decidiu se acomodar num canto da cidade de Los Angeles. Ele se sentia como um peixe fora d'água pela diferença que existia entre a velha e a nova querência. O tempo ia passando e o gaudério tentando se acostumar com as diferenças do lugar. Para melhor conhecer as leis locais e o idioma ele começou a freqüentar uma escola para adultos.

    No trabalho ele estava concretizando seu sonho, mas no amor continuava um fracasso. Além dos outros antigos problemas que ele tinha, agora surgiu mais um: a dificuldade de comunicação com as chinocas do lugar, pois ele não sabia falar inglês. O gaudério começou a se preocupar, a idade continuava avançando e, quando se aproximava o inverno, começavam a se manifestar os romantismos. No rancho onde o gaudério se acomodou de vez em quando ele convidava alguns amigos, fazia um churrasco, cevava um chimarrão e aproveitava para usar a roupa gaúcha que havia trazido. Dentro da cabeça começou a surgir a idéia de fundar um CTG, mas só tinha a idéia  porque faltava tudo, o lugar, o pessoal, as roupas do tradicionalismo gaúcho, e o mais importante: a chinoca. Como iria fundar um CTG se não tinha sua chinoca companheira? 

            Nas horas de folga do trabalho, o gaudério começou a construir seu próprio carro, e depois de um ano de trabalho, conseguiu conclui-lo. A saudade de galopar a cavalo era tanta que ele transformou o carro que construiu em um verdadeiro cavalo encilhado. Colocou o rabo, as crinas, as rédeas, os pelegos, os estribos, o laço e o porta capa. Como o gaudério se criou na zona montanhosa da serra gaúcha, ele colocou o rabicho para que no descer dos morros o desarreio não fosse parar no pescoço do "cavalo de aço". Com esse cavalo ele podia andar pelas estradas de Los Angeles  sem prejudicar o transito. Assim quando batia a saudade, o gaudério  vestia a pilcha, encilhava o petiço, dava umas voltas por lá e depois retornava ao rancho para tomar umas cuias de chimarrão mais tranqüilo. Aos poucos o gaudério ia se adaptando as mudanças  que exigia dele a nova querência,  mas no amor continuava num beco sem saída.  Muitas vezes ele repensava em fundar o CTG  mas sentia o vazio da falta de amor de uma chinoca, para que ao seu lado pudesse dar apoio nas horas difíceis da vida...