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Frustrado, deixa o pampa gaúcho.
- Parte
9.
Frustrado, no amor e no trabalho, o gaudério coloca
seus pertences na mala, e junto coloca uma bombacha, as botas,
a guaiaca, o lenço
vermelho, um chapéu velho, a cuia, a bomba, e
um pouco de erva mate, tudo isso para matar um pouco da saudade
da velha querência quando estiver na nova querência.
Com a mala pronta ele ficou a espera de um avião que passasse
por Porto Alegre com
rumo a terra do Tio Sam.
Inicio de janeiro de 1984. Colocou a mala na garupa
deixando a terra dos Pampas, não por não gostar mais dela
mas sim por falta de oportunidade para progredir na vida.
Ao chegar em terras do norte, mais precisamente na Califórnia,
o gaudério fez um breve reconhecimento do lugar. Logo de inicio surgiram alguns
problemas como: a comunicação, os costumes, a falta da vida do campo. O
jovem gaudério decidiu se acomodar num canto da cidade de Los Angeles.
Ele se sentia como um peixe fora d'água pela diferença que existia
entre a velha e a nova querência. O
tempo ia passando e o gaudério tentando se acostumar com as
diferenças do lugar. Para melhor conhecer as leis locais e
o idioma ele começou a freqüentar uma escola para adultos.
No trabalho ele estava concretizando
seu sonho, mas no amor continuava um fracasso. Além dos outros antigos
problemas que ele tinha, agora surgiu mais um: a dificuldade de
comunicação com as chinocas do lugar, pois ele não sabia falar inglês.
O gaudério começou a se preocupar, a idade continuava avançando
e, quando se aproximava o inverno, começavam a se manifestar os
romantismos. No rancho
onde o gaudério se acomodou de vez em quando ele convidava alguns
amigos, fazia um churrasco, cevava um chimarrão e aproveitava para
usar a roupa gaúcha que havia trazido. Dentro
da cabeça começou a surgir a idéia de fundar um CTG, mas só tinha
a idéia porque faltava tudo, o lugar, o pessoal, as roupas do tradicionalismo gaúcho, e
o mais importante: a chinoca. Como iria fundar um CTG se não tinha
sua chinoca companheira?
Nas horas de folga do trabalho, o gaudério começou a construir seu
próprio carro, e depois
de um ano de trabalho, conseguiu conclui-lo. A saudade de galopar
a cavalo era tanta que
ele transformou o carro que construiu em um verdadeiro cavalo encilhado.
Colocou o rabo, as crinas, as rédeas, os pelegos, os estribos, o
laço e o porta capa.
Como o gaudério se criou na zona montanhosa da serra gaúcha, ele
colocou o rabicho para que no descer dos morros o desarreio não
fosse parar no pescoço do "cavalo de aço". Com
esse cavalo ele podia
andar pelas estradas de Los Angeles
sem prejudicar o transito. Assim quando batia a saudade,
o gaudério vestia a pilcha,
encilhava o petiço, dava umas voltas por
lá e depois retornava ao rancho
para tomar umas cuias de chimarrão mais tranqüilo.
Aos poucos o gaudério ia se adaptando as mudanças
que exigia dele a nova querência,
mas no amor continuava num beco sem saída. Muitas
vezes ele repensava em fundar o CTG
mas sentia o vazio da falta de amor de uma chinoca, para
que ao seu lado pudesse dar apoio nas horas difíceis da vida...
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